COMO COMPREENDER

A SOBERANIA DE DEUS NA HISTÓRIA

Hernandes Dias Lopes

Referência: Daniel 2.1-49

 

INTRODUÇÃO

1. Através do capítulo 2 do livro de Daniel Deus revela de maneira maravilhosa sua soberania sobre os governos mundiais, a destruição dos magalomaníacos impérios e o estabelecimento vitorioso do Reino de Cristo.
2. A Babilônia é a dona do mundo. Nabucodonosor é rei de reis. As glórias da Babilônia atingem o seu apogeu. De repente o sonho do rei, tira não apenas o seu sono, mas também a paz de todos os sábios. Os privilégios dos sábios transforma-se em iminente ameaça.
3. Nesse contexto, podemos focar sete aspectos deste texto:

I. O SONHO PERTURBADOR DO REI – V. 1

1. Um sonho que tirou o sono - Seu sonho perturbou o seu espírito (v.1). A palavra “perturbou = golpear-se”. O rei foi golpeado e encheu-se de ansiedade, insegurança e medo.
2. Um sonho que revelou a fragilidade dos poderosos – Aparentemente nada nem ninguém podia ameaçar a fortaleza do reino de Nabucodonosor. Ele tinha poder, riqueza e fama. Sua palavra era lei. Suas ordens não podiam ser questionadas. Mas, agora o rei está abalado. Sentiu que alguém maior que ele o ameaçava. A segurança do seu império estava ameaçada por algo fora do seu controle. Algo invisível e além deste mundo. Ficou inseguro, inquieto, perturbado.

II. A IMPOTÊNCIA DOS SÁBIOS – V. 10-11

1. A sabedoria dos sábios deste mundo tem limites – O rei mandou chamar os sábios da Babilônia, mas eles não puderam nem contar o sonho nem dar a interpretação do sonho ao rei. A sabedoria deles era limitada.
a) Os magos – possuidores de conheciementos dos mistérios sagrados e das ciências ocultas;
b) Os encantadores – astrólogos – os que se dedicavam a contemplar os céus e buscar sinais nas estrelas como o propósito de predizer o futuro;
c) Os feiticeiros – os que usavam a magia, invocando o nome de espíritos malignos;
d) Os caldeus – uma casta sacerdotal de homens sábios.
• A resposta dos caldeus acerca da incapacidade deles era baseada em vários argumentos, conforme os versos 10 e 11: 1) Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que rei exige; 2) Era um assunto sem precedentes na história da humanidade; 3) O pedido do rei era extremamente difícil; 4) A solução do problema era supra-humano.

2. A teologia dos sábios deste mundo é deficiente – (v. 11) – Eles reconhecem que há uma divindade acima e além, mas não têm uma visão do Deus Pessoal presente entre o seu povo (Is 57:15).

III. A PREPOTÊNCIA DOS PODEROSOS – V. 5,8,12-13

1. Exigindo dos homens o que eles não podem oferecer – (v. 5,10,11) – Há coisas que são impossíveis aos homens. Exigir deles isso é um ato de prepotência. Os magos da Babilônia tinham limitação.

2. Oferecendo vantagens financeiras e promoções – (v. 6) – O rei tem poder e riqueza nas mãos. Com essas duas armas deseja o mundo aos seus pés.

3. Determinando o extermínio dos sábios para satisfazer um capricho pessoal (v. 5,8,9,12,13) – O rei não respeitou a limitação dos sábios. Acusou-os de esperteza (v. 8) e conspiração (v. 9). Determinou o extermínio sumário deles (v. 12).
• Reinhold Niebuhr diz que este sentimento de insegurança, este complexo de ansiedade é a causa da tirania política moderna.
• Quanto mais alto um homem sobe, mais medo ele tem de perder o poder. Mas inseguro se torna.
• Isso prova que o poder, a riqueza e a fama não dão segurança nem satisfazem. Assim também aconteceu com Salomão. Ele tinha riqueza, poder e prazeres, mas viu que tudo era vaidade.

IV. A INTERVENÇÃO DE DANIEL – V. 14-18

1. Daniel vai ao rei e pede tempo – v. 16
• Daniel tem iniciativa. Ele tem ousadia. Ele não foge, não se esconde, nem tenda enrolar o rei. Ele reconhece sua limitação. Ele demonstra confiança na intervenção de Deus.

2. Daniel vai aos amigos e pede oração – v. 17
• Quando para o mundo só resta o desespero, para os filhos de Deus ainda há o recurso da oração. Os magos suplicaram ao rei da Babilônia que lhes contasse o sonho, mas Daniel pediu ao Rei dos reis.
• Daniel compreendeu a importância de termos um grupo de oração – Daniel sabia que quando os crentes se unem em oração, isto agrada a Deus e a vitória é certa. Precisamos buscar ajuda nas pessoas certas na hora da crise.

3. Daniel vai a Deus e pede misericórdia – v. 18
• Daniel ora ao Deus do céu – O nosso Deus está acima do céu, isto é, acima do sol, da lua e das estrelas que os babilônios adoravam. Enquanto os caldeus adoravam os astros, Daniel adorava o Deus criador dos astros. Ele revela a sua fé no Deus vivo.
• Daniel chega a Deus pedindo misericórdia – A oração é um ato de humildade e não de arrogância.

V. A GRATIDÃO DE DANIEL – V. 19-23

1. Daniel bendiz a Deus porque ele conjuga poder e sabedoria – v. 20
• Nabucodonosor tinha poder, mas não sabedoria. Sabedoria é a capacidade de tomar a decisão certa e poder é a capacidade de torná-la efetiva.

2. Daniel bendiz a Deus porque ele é o Senhor do tempo – v. 21
• O Deus criador é o Deus da providência. Ele muda o tempo e as estações do ano. Ele faz vir a chuva e o sol, o dia e a noite.

3. Daniel bendiz a Deus porque ele é o Senhor da história – v. 21
• As rédeas da história está nas mãos de Deus e não dos poderosos deste mundo. Daniel disse para Nabucodonosor que o seu sucesso político foi ação de Deus e não capacidade dele próprio (v. 37,38).
• Deus é quem remove reis e estabelece reis. Ele levanta reinos e abate reinos. A história está nas mãos de Deus.

4. Daniel bendiz a Deus porque ele é o Senhor dos mistérios – v. 22
• Deus sabe tudo, vê tudo. Tudo o que homem tem e sabe vem de Deus.
• Daniel está desbancando o fatalismo da religião babilônica.

VI. A INTERPRETAÇÃO DA DANIEL – V. 25-45

1. Daniel exalta a Deus e não a si mesmo – v. 27,28,30
• Daniel não chama atenção para si como fez Arioque (v. 25). Ele coloca os holofotes em Deus. Ele acentua o contraste entre a impotência humana e a onipotência divina. Ele destaca a supremacia do Deus vivo sobre as divindades da Babilônia.

2. Daniel revela que o sonho do rei é profético e não histórico – v. 28,29
• O sonho do rei tem a ver com o plano de Deus na história da humananidade. O sonho é profético; ele abre as cortinas da história e revela que o futuro está nas mãos de Deus.

3. Daniel descreve o sonho da estátua como um contraste entre os reinos do mundo e o Reino de Cristo – v. 31-36
a) A cabeça de ouro (v.32,36-38b) – Nabucodonosor foi chamado de rei de reis (v. 37). Ele era a cabeça de ouro. Ele representa o império. Sua palavra é lei. Ele governou 41 anos. Ele transformou a Babilônia no maior império e na maior cidade. Alargou as fronteiras do seu domínio. Mesmo a riqueza e poder da Babilônia foram dadas por Deus (v. 37-38). Deram ao mundo a organização da LEGISLAÇÃO (Código de Hamurabi).
b) O peito e os braços de prata (v.32,39) – O peito e as braços de prata simbolizam o Império Medo-Persa (539 a.C.) Como a figura já indica, os dois braços ligados pelo peito representam um império que ia ser formado pela união de dois povos: Os Medos e os Persas. Nesse reino o rei não estava acima da lei, mas a lei era maior que o rei. O rei tinha menos autoridade. Deram ao mundo o aperfeiçoamento do SISTEMA TRIBUTÁRIO.
c) O ventre e os quadris de bronze (v. 32,39) – Representam o Império Grego estabelecido por Alexandre Magno em 333 a.C. Dominou o mundo inteiro. Esse reino desintegrou-se com a morte de Alexandre. Deram ao mundo a CULTURA, A LÍNGUA, OS JOGOS.
d) As pernas de ferro e os pés de ferro e barro (v. 33,40-43) – Este é o império mais detalhado. Cabe-lhe mais importância que os outros. Trata-se do Império Romano. Era mais forte dos quatro. Mas internamente o seu valor, a sua qualiade era inferior aos seus predecessores, como o ferro é interior aos outros metais. Ao mesmo tempo o Império Romano era forte como o ferro (exército, leis, organização política), mas débil como o barro (baixo nível moral) - (v. 42).
e) A Pedra que esmiúça a estátua (v. 34,35,44,45) – Qual é o significado da Pedra? Ela representa o Reino de Cristo que vem e destrói todos os outros reinos e enche toda a terra. O Reino de Cristo já veio em Cristo. Ele está entre nós e dentro de nós. Mas, na segunda vinda de Cristo, os reinos deste mundo serão destruídos e o Reino de Cristo será estabelecido totalmente. Então, todo joelho vai se dobrar. Cristo colocará todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. Deram ao mundo o aperfeiçoamento da LEGISLAÇÃO (O Direito Romano).

4. Daniel revela que os reinos do mundo são um misto de esplendor e terror – v.31
• Os reinos do mundo estão marcados por esplendor e terror. Conquistamos o espaço, mas construímos bombas mortais. Inventamos o avião, mas o usamos para jogar bombas. Inventamos indústrias maravilhosas, mas poluímos o ambiente. Usamos o poder e a riqueza para oprimir os fracos.
• Os reinos do mundo são descritos de cima para baixo – Isso revela a progressiva decadência dos reinos deste mundo. Começa no ouro e termina no barro e não no barro para terminar no ouro. Só o Reino de Cristo dominará para sempre.

5. Daniel revela a supremacia do Reino de Cristo sobre os reinos do mundo – v. 44-45
• Os reinos do mundo ao mesmo tempo que são fortes como o ferro, são vulneráveis como o barro.
• O Reino de Cristo, entretanto, é indestrutível (v. 44a), eterno (v. 44b), vitorioso (v. 44c).

VII. CONCLUSÃO: AS IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DESTE TEXTO

1. A infalibilidade da Palavra de Deus – Tudo o que Deus falou cumpriu-se literalmente. O império da Babilônia foi sucedido por três outros impérios. Foi nos dias do império Romano que um outro Reino foi estabelecido, um reino que está sempre crescendo e nunca terminará. Foi nos dias do Império Romano que uma Pedra, sem origem, veio ao este mundo e seu Reino vai durar para sempre.

2. A história está nas mãos de Deus – Deus não apenas prevê o futuro, ele tem o controle do futuro. Ninguém pode frustrar os seus desígnios. Seu plano é eterno. Ele está com as rédeas da história nas mãos e ele a levará a fim glorioso, a vitória triunfante do Reino de Cristo sobre os reinos do mundo.

3. O Reino de Cristo triunfará – Os poderosos deste mundo, os reis, os déspotas não têm as rédeas nas mãos. Os grandes impérios já caíram. Só o Reino de Cristo vai trinfar. Não precisamos ter quanto ao futuro da causa de Cristo. Ele já determinou o fim: sua vitória gloriosa!

4. Os servos de Deus serão honrados – Daniel e seus amigos foram honrados. Deus exalta aqueles que se humilham. Deus honra aqueles que o honram.

5. Conhecer a verdade de Deus não basta, é preciso ser transformado por ela – Nabucodonosor conheceu o Deus vivo, mas se dobrou diante dele como o Deus da sua vida (v. 47).


Rev. Hernandes Dias Lopes






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