Bem-aventurados aqueles que de coração quebrantado;
Com profundo sentimento choram seu pecado.


Nessas linhas estão contidos três elementos vitais: coração quebrantado, choro e pecado. Primeiro, “coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus”. Aliás, ele só usa vasos quebrados. Quando Jesus multiplicou o pão, primeiro pegou os pães do menino e partiu-os. E só então pôde alimentar a multidão. O vaso de alabastro é outro exemplo. Só depois que ele foi quebrado, o aroma encheu o aposento – e o resto do mundo. E Jesus também disse: “Isto é o meu corpo, que é partido por vós”. E se para o Senhor foi assim, não deverá ser também para o servo? Pois quando procuramos salvar nossa vida, não apenas a perdemos, mas também destruímos a de outros.

Em seguida, chorar pelo pecado. Jeremias clamou: “Oxalá a minha cabeça se transformasse em águas”; e o salmista diz: “Torrentes de águas nascem dos meus olhos”. Irmãos, nossos olhos estão secos porque nosso coração também está. Em nossos dias, é possível ver-se uma religiosidade despida de compaixão. Que coisa mais estranha!

Certa vez, alguns oficiais do Exército da Salvação escreveram a William Booth dizendo que haviam empregado todos os métodos possíveis para levar pessoas a Cristo; e nada. Sugeriram que se fechasse a pequena missão. Booth respondeu através de um telegrama, com apenas duas palavras: “Experimentem chorar”. Foi o que fizeram, e Deus mandou um avivamento.

As escolas bíblicas e seminários não ensinam seus alunos a chorar, e é claro que nem o poderiam. Essa lição só se aprende com o Espírito Santo. Qualquer pregador, por mais títulos e doutorados que possua, não conseguirá muita coisa enquanto não experimentar uma profunda amargura de alma por causa dos pecados que se cometem hoje. David Livingstone costumava orar assim: “Senhor, quando irá cicatrizar-se a chaga do pecado deste mundo?”. E nós, acaso sentimos o peso da perdição da humanidade quando oramos? Será que ensopamos de lágrimas o travesseiro com uma agonizante intercessão como fazia John Welch?

Conta-se que quando Andrew Bonar, deitado em seu leito, ouvia as pessoas caminhando pela rua nos sábados à noite, dirigindo-se para bares ou teatros, sentia o coração pesado e clamava: “Eles estão perdidos, estão perdidos!”.

Infelizmente, irmãos, não possuímos esse peso pelos perdidos. A maioria dos crentes conhece apenas uma longa seqüência de pregações – eloqüentes, sim –, mas sem alma, sem lágrimas, sem ardor espiritual. É tudo que os pregadores têm para oferecer hoje.

E, em terceiro lugar, o que dizer do pecado? Diz a Bíblia que “os loucos zombam do pecado” (e quem zomba do pecado é louco mesmo). Os sábios da igreja apontaram “sete pecados capitais”. É claro que sabemos que eles estavam muito enganados; todos os pecados são capitais. Mas esses sete são o ventre do qual nasceram mais setenta vezes sete milhões de outros pecados. São as sete cabeças de um mesmo monstro que está devorando esta geração a um ritmo aterrador. Estamos vendo uma juventude amante de prazeres, que não liga a mínima para Deus. Enfatuados com seu pseudo-intelectualismo, totalmente indiferentes às coisas espirituais, eles rejeitam os padrões de moralidade vigentes.

Caiamos de joelhos, irmãos. Abandonemos a louca idéia de borrifar perfumes na impiedade individual e internacional com nossas colônias teológicas. Lancemos para toda essa putrefação rios de lágrimas, de oração e de pregações ungidas, para que seja purificada.



Extraído do livro: “Por Que Tarda o Pleno Avivamento?”, de Leonard Ravenhill, Editora Betânia.







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